terça-feira, 19 de maio de 2015

quem vem pra beira do mar...

de novo nesse vão que é o mar. arrastada pro fundo, afogada, nas águas que me carregam pra longe de tudo. sem sentido, sem rasgos, sem cicatrizes. apenas lágrimas, acompanhadas de sussurros, de abraços que nunca vieram, que nunca me tocaram. sozinha na imensidão, peixes que nunca piscam me acompanham, e eu... nada.
eu sabia que depois de toda a correria viria o momento de chorar. de sentar num cantinho escuro e cantar uma música devagar, quase uma prece pra ninguém, pralguma entidade que quem sabe exista. que por favor exista! como eu queria uma mão que me carregasse, que me fizesse acreditar em qualquer milagre que fosse, até um completamente distante do mundo, da realidade sufocante que é o estar morno.



queria poder chorar tudo, cada pingo de água que há dentro de mim. assim, completamente seca de qualquer medo, de qualquer dor, voltaria a caminhar. e o sorriso seria desértico, cheio de oásis, mas nunca se pode ter tudo. parece que há um mar absoluto dentro de mim, infinito, que não se cansa em me derrubar, em me fazer cantar derrotas, caos e inundações que já não aguento.
ser náufraga é passar fome, é matar cada pedaço de carne que possuo para alimentar uma vontade que é insaciável, essa de não ter vontade de nada. posso dormir o dia todo? deixar ficar o sono no travesseiro, esquecer que há uma vida aí fora além dos sonhos...

não consigo mais. até quando vou pairar nesse limbo que são meus passos tortos, desajeitados, cheios de tombos e voos falhos?