quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

escritora de mim.

hoje estou num daqueles dias intermináveis. sabe, quando a vida parece uma comida morna, meio maçaroca e sem condições de nomear. nesses momentos que penso que nada vale a pena, que nunca estive tão sozinha, que gostaria de voltar pro silêncio que era antes de nascer.
a existência se confirma em cada tragada imaginária que dou, em cada piscar de olhos leviano e sem sentido. me sinto como um gato perdido, rebelde sem causa, que só espera o próximo pratinho de ração para depois voltar a tirar um longo cochilo.
acabo caindo no clichê que é a falta de vontade profunda e ao mesmo tempo a única vontade forte que ainda resta: a de morrer. não é trágico, não é fuga, é simplesmente uma busca pelo... nada? um te vejo depois, até mais pra angústia que mais parece um cupim correndo meu corpo, brinquedo de madeira nas mãos do inevitável.

o que vou fazer? continuar a vida medíocre que me cabe? cumprir o papel que me foi designado? ser o pinóquio que existe em cada um de nós e deixar que me controlem pelos cabelos, que me rasguem a carne que já nem é mais minha, mas de quem vê, de quem aplaude e vaia?

já não sei mais até onde vai essa mentira. se sou eu que sinto ou é a depressão que me reinventa. de qualquer forma, partindo de mim ou das químicas que teimam em me fazer atriz, ainda mexo os braços, choro, desacredito. no fim das contas, seja o que for, são das minhas mãos que saem as palavras: mais nada.



Nenhum comentário:

Postar um comentário