sei que a adolescência estava terminando, e eu começava a entrar num limbo que ainda não é a vida adulta, mas já é cheio de responsabilidades e fugas. foi por aí que descobri que uma parte de mim tinha ido embora, abandonando na gestação incompleta um ser desconhecido, um rosto novo cuja máscara ainda não estava pronta para arrancar.
como um susto, uma explosão de nuances, descobri que era bipolar ou, nos termos antigos, maníaco-depressiva.
nunca foi fácil de aceitar e posso afirmar que ainda não é. não é simplesmente da inconstância do humor que falo, mas da falta total de controle sobre mim mesma, porque, afinal, eu não estava pronta. na verdade, acho que em momento algum estaria. como aceitar que de repente quero entrar em um balão e descobrir o mundo, saltando dentro de rios e marcando nas pedras meus sorrisos, gargalhadas e puro amor? e no segundo seguinte já me esqueci da conquista, e uma profunda vergonha me acomete.
choro. não mais de esperança, mas pela vida. essa desgraçada que me trouxe à tona e me abandonou recém-nascida na selva que são os pensamentos e a existência. e de repente me suicido. incontáveis vezes, pulo do balão que me carregava, caio em rios secos para descobrir que apenas uns minutos se passaram e tenho fome. ah, e é daquelas fomes inventadas, que não há pão que sirva...
mas o vinho... bom, esse talvez funcione.

um brinde à coragem de ir além.
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